12 September 2014

Narcisos :: Narcissi







Foi em Inglaterra que aprendi a gostar de narcisos. Antes disso não me diziam nada — talvez até os achasse algo espalhafatosos. Mas vê-los despontar em massa depois de um longuíssimo Inverno, em contraste com o verde tão tenro dos prados e o cinzento tão carregado do céu, não deixa ninguém indiferente. O nosso jardim inglês tinha centenas de narcisos de diferentes variedades plantados na relva, não em canteiros. É assim que gosto deles, espontâneos e desarrumados. Aqui na Nova Zelândia temos alguns bolbos espalhados pelos canteiros, mas no próximo Outono faço tenções de plantá-los na relva. Sei que me farão sorrir sempre que olhar para eles.

I started loving narcissi when I was living in England. Until then I found them pretty indifferent — if anything, maybe a little garish. But seeing them emerge en masse after a very long winter, in contrast with the tender green meadows and the heavy grey skies, is a feast to the eyes. Our English garden had hundreds of daffodils and several different varieties and they were planted on the ground, not in garden beds. That's exactly how I like them best: spontaneous and a bit untidy. Here in NZ we've got a few bulbs in beds but next autumn I'd love to plant masses of them in my lawn. I know I'll smile every time I look at them.

(photos© Constança Cabral)

08 September 2014

Boneco Waldorf :: Waldorf Doll













Acabei o boneco Waldorf uns dias antes de o Pedro ter nascido. A minha mãe fez o cabelo (obrigada, mãe!) e eu acrescentei alguns confortos à vida dele: um colchão, uma manta, uma cama, um biberon e até um carrinho de passeio (tanto a cama como o carrinho foram comprados em 2ª mão num mercado aqui nas redondezas). Ainda não lhe fiz roupa, mas isso virá a seu tempo.

No primeiro mês de vida do Pedro, o Rodrigo não ligou nenhuma ao boneco. Mas neste fim-de-semana passado tudo mudou: o boneco foi passeado, apertado, lavado e alimentado. Tem muita graça vê-lo a repetir aquilo que fazemos com o Pedro.

PS. Progressos do boneco Waldorf: 1 e 2.


I finished the Waldorf doll a few days before Pedro was born. My mother crocheted the wig (thanks, mum!) and I added some comforts to his life: a mattress, a quilt, a bed, a bottle and even a pushchair (both the bed and the pushchair were bought second hand at a local market). I still haven't sewn any clothes for him but I know I'll do that eventually.

During Pedro's first month, Rodrigo didn't pay any attention to the doll. But this past weekend he suddenly took an interest and the doll was fed, changed, cuddled and pushed around the house. It's so funny to watch him mimic what he sees us doing with Pedro.

PS. Waldorf doll progress: 1 and 2.

(photos© Constança Cabral)

29 August 2014

Por Aqui :: Around Here









Plantámos três árvores de fruto. Cozinhámos e fizemos bolos. Continuei o meu quilt (426 triângulos!). O Pedro dormiu e mamou e engordou. Aproveitámos os últimos dias com a avó. E a Primavera está à porta!

We planted three fruit trees. We cooked and baked. I worked on my quilt (426 triangles!). Pedro slept and fed and put on weight. We made the most of the last days with granny. And spring is just around the corner!

(photos© Constança Cabral)

27 August 2014

Friands de Mirtilo :: Blueberry Friands


Nunca vi tantos muffins e friands à venda em cafés como aqui na Nova Zelândia. Para mim, os friands foram novidade: feitos com miolo de amêndoa, claras de ovo e fruta, são uns bolinhos óptimos para comer a meio da manhã ou ao lanche.

Na sexta-feira à tarde o Rodrigo e eu fizemos friands cá em casa. A minha mãe tinha feito leite-creme no dia anterior e assim aproveitámos as claras. Seguimos esta receita da Donna Hay mas substituímos as framboesas por mirtilos (congelados). O Rodrigo adorou fazê-los — podem vê-lo todo contente aqui em baixo — e fartou-se de comer massa crua, mas quando saíram do forno nem os quis provar... Os adultos cá de casa, porém, gostaram muito. Experimentem que vale a pena!


[usei uma forma própria para friands mas as formas de queques também servem perfeitamente]


Never before had I seen so many muffins and friands available in coffee shops... they're a thing here in NZ. Friands were new to me: made with almond meal, egg whites and fruit, they're the perfect little cakes for your morning or afternoon tea.

Last Friday Rodrigo and I made friands at home. We followed this Donna Hay recipe but used (frozen) blueberries instead of raspberries. Rodrigo loved making them — you can see him having fun in the picture below — and ate lots of batter but strangely wasn't tempted to try them once they were baked. Us adults, however, loved them. Give them a try. they're well worth it!

[I used a special friand tin but if you don't have one, any muffin tin will do]


(photos© Constança Cabral)

21 August 2014

Grão a Grão :: Little by Little





Ter um blog "criativo" (chamemos-lhe assim, mesmo correndo o risco de parecer pedante) é um pau de dois bicos: por um lado, funciona como estímulo à criatividade e como poderosa ferramenta de automotivação; por outro, há sempre aquela pressão de mostrar trabalho feito e avançar para o próximo projecto. 

Mas fazer à mão é mais do que produzir: é fazer as coisas com calma e alguma ponderação e saborear o processo. Nem tudo tem de ser imediato — nem pode ser, porque fazer à mão leva tempo. Muito tempo. 

Na antevéspera de o Pedro nascer comecei a fazer um quilt para mim. Peguei nas sobras dos quilt kits*, seleccionei as cores e os padrões mais frescos e femininos e avancei para um quilt de triângulos. Vai ter o tamanho de uma cama de solteiro, para que possa mais tarde servir como colcha, manta, tenda, tapete de picnic... A ideia de fazer um quilt com um recém-nascido cá em casa poderá parecer completamente louca (se as coisas feitas à mão levam muito tempo, os quilts então podem demorar uma eternidade) mas tudo depende do estado de espírito com que se aborda o projecto em questão. Este quilt é para se ir fazendo, dez minutos aqui, quinze ali, durante uma sesta, um tempo morto. 

E um dia vou olhar para este quilt e pensar "fi-lo quando o Pedro era bebé".

* por falar em quilt kits, tenho uma série de kits cortados e à espera de serem fotografados... daqui a uns tempos estarão à venda na loja.


Writing a "creative" blog (let's call it that, even if it sounds a bit pedantic) is somewhat two-sided: on the one hand, it stimulates the author's creativity and acts as a powerful self-motivating tool; on the other hand, however, there's always that pressure to show off finished work and move on to the next project. 

But making by hand is much more than simply producing things: you're supposed not to rush it and enjoy the process. Not everything has to be immediate — I mean, making by hand usually takes time. A long time.

Two days before Pedro was born I started making a quilt for myself. I took the remnants from my quilt kits*, selected the freshest, most feminine prints and set about making a half-square triangle quilt. I've decided to make it for a single bed so that later on it can be used as a bedspread, lap quilt, tent or even as a picnic blanket. The idea of making a quilt with a newborn at home may seem crazy (if things made by hand take a long time, then quilts can take up an eternity) but it all boils down to how one approaches the project. This quilt is meant to be worked on slowly, ten minutes here, fifteen minutes there, during nap time, etc.

One day I'll look at it and think "I made this quilt when Pedro was a baby".

* since I mentioned quilt kits, let me just say I've got lots of them all cut and assembled and waiting to be photographed... I'm hoping to put them up for sale soon.

(photos© Constança Cabral)

10 August 2014

Por Aqui :: Around Here







Muito obrigada por todos os comentários, mensagens e emails sobre o nascimento do Pedro. Hesitei bastante antes de partilhar aqui a história completa (embora não esteja assim tão completa... com o passar dos dias fui-me lembrando de mais pormenores) — ponderei publicar no blog uma versão aligeirada e condensada dos acontecimentos, mas depois achei que não faria sentido... e agora estou contente por não o ter feito. Num blog como este, a fronteira entre o pessoal e o privado nem sempre é fácil de estabelecer e, na maior parte das vezes, refreio as minhas partilhas. Mas este caso é especial.

Dentro daquela aflição tivemos uma sorte enorme, já viram? Decidi logo não me zangar com a parteira (ela faz parte de um sistema que funciona assim), assim como não pensar naquilo que poderia ter corrido mal. Correu tudo bem e sinto-me incrivelmente agradecida e abençoada.

Por aqui estamos em pleno modo pós-parto/recém-nascido, com todos os incómodos, dúvidas, surpresas e alegrias que isso implica. Dar de mamar com sucesso e gerir as birras do Rodrigo são, sem sombra de dúvida, os maiores desafios, mas os momentos de puro deleite não faltam: ver os abraços que o Rodrigo dá ao Pedro, descobrir covinhas numas bochechas já tão cheias, quando nos dá um intervalo bom à noite. Mais uma vez digo que temos uma sorte imensa.

A minha prioridade é alimentar o Pedro, dar atenção ao Rodrigo e dormir, mas vou tentando fazer outras coisas aqui e ali, nem que seja só durante 5 minutos. Comer uma taça de iogurte no jardim. Apanhar flores. Coser uns triângulos para o meu novo quilt de Primavera (que comecei na véspera do nascimento do Pedro).

Cá estamos, e está tudo bem.


Thank you so much for all the comments, messages and emails regarding Pedro's birth [I still haven't translated the whole story into English but I'm hoping to do it over the next week]. I second-guessed my decision to share the story here but now I'm glad I've done it. On a blog such as this one it's sometimes hard to define where the personal ends and the private begins, and more often than not I limit my sharing quite a lot. But Pedro's birth was special.

Amidst the tribulation we were incredibly lucky. I've no hard feelings and I've decided not to think about what could have gone wrong. Everything went well and I feel so blessed and thankful.

Aound here we are buried deep into post-partum/newborn mode, with all it entitles: discomfort, doubts, surprises and joy. Breastfeeding successfully and managing Rodrigo's temper are the main challenges right now, but we're also experiencing moments of pure delight: watching Rodrigo cuddling Pedro, finding dimples in his round cheeks, when he sleeps for a good few hours at night. I'll say this again and again-. we are so lucky.

My priorities now are feeding Pedro, spending time with Rodrigo and sleeping but I'm trying to carve out 5 minutes here and there to do other things. Like eating a bowl of yoghurt in the garden. Picking flowers. Piecing some triangles for my spring quilt (the one I started on the eve of Pedro's birth).

We are here, and all is well.


(photos© Constança Cabral)

07 August 2014

Pedro





Pedro
1/08/2014
3,320 kg

[escrever para não esquecer]

O Pedro nasceu no jardim da nossa casa na Nova Zelândia.

Estava previsto para 27 de Julho de 2014 e acabou por nascer na madrugada do primeiro dia de Agosto. No jardim, às 6h45 da manhã. Em pleno Inverno.

Fez-se anunciar durante dois dias com contracções irregulares: umas espaçadas, outras muito próximas; umas fortes, outras mais suportáveis. Quando, ao fim de trinta e tal horas disto, nos encontrámos com a parteira no hospital (precisamente 6 horas e 45 minutos antes de o Pedro ter dado entrada no mundo), o veredicto foi desconsolador. "Ainda há muito pela frente. Muitas horas, dias até. Tem de sentir contracções fortíssimas de 4 em 4 minutos pelo menos durante 2 ou 3 horas." "Mas estou tão cansada. E dói tanto" e larguei num pranto. "Constança, o parto dói muito. Engravidou, esteve grávida e agora vai ter de passar pelo parto. A dor não mata. Custa, mas não mata. Tome estes comprimidos [paracetamol] e vá para casa. Tente dormir."

E para casa viemos. Nova viagem de 20 minutos de carro. Cama. Sacos de água quente. O Tiago adormeceu imediatamente. E eu tive contracções. Muitas. Fortes. Lembro-me de contar assim "1- vou aguentar. 2- vou aguentar. 3- vou aguentar." Até chegar ao 20. Não tive forças para marcar o tempo nem o intervalo entre contracções. Acho que ia adormecendo entre elas.

A certa altura houve uma que me fez dar um grito e agarrar-me à cabeceira da cama. Chamei o Tiago e lembro-me de ter pensado "não me posso descontrolar. Se me descontrolo, não aguento." Mas esta contracção - tal como as que se seguiram - era diferente. Era mais em baixo. Dava vontade de fazer força. De repente saiu qualquer coisa. E eu fiquei assustada e disse "Tiago, às vezes os partos correm muito mal! Telefona à parteira!" Tentei falar com ela mas não consegui. Gritos à filme. Só pensava "não posso fazer força cedo de mais [aquilo que se ouve nos filmes]. Vou soprar velas. Deus queira que o Rodrigo não acorde."

Contracções. Contracções. Contracções. "Conchinha, ouve-me bem. Vais andar até ao carro." "NÃO!" "Vais sim. Vem." A minha mãe entretanto aparece. Calça-me os sapatos. Ajuda o Tiago. Passo a porta de casa. Grito. Apoio-me no capot do carro. Mordo a mão do Tiago. "Ele vai nascer!" "Não vai nada. Vamos. Temos de ir." "Tiago, ele vai nascer!" Três passos até ao lado do carro. Porta de trás aberta. Tento entrar. "Está a sair! Aqui!" Toco. "Está a sair a cabeça!" A minha mãe espreita. Estou em pé, em cima da gravilha, com as mãos apoiadas no banco de trás do carro.

"Conchinha, já nasceu. O Pedro já nasceu."

"Telefonem à parteira."

Os vizinhos do lado aparecem.

"É preciso passar o cordão para a frente", diz a filha deles, que é condutora de ambulâncias. A minha mãe ajuda-me.

Peguei no Pedro ao colo?

Ambulância. Tiago. Maca. O Pedro ao colo do Tiago. Paramédicos (um deles o mesmo que cá veio quando, grávida de 3 meses, escorreguei e caí no corredor). Dei a mão à paramédica.

Injecção para expulsar a placenta. O Pedro ao colo do Tiago. Muitos solavancos. Gemo.

Chegamos ao hospital. Elevador, sala de partos. "Tussa. Faça força."

"Good girl, Constança. Good girl."

Pontos. Intermináveis.

O Pedro mamou. Pesaram-no, mediram-no. Temperatura: 34,6. (Ou será que só mamou depois?)

A parteira foi buscar torradas e um Milo. Entrou, saiu, entrou, saiu. Soube tão bem estar ali com o Tiago, e com o Pedro em cima de mim. Lembrei-me da sala de partos em Burton. E do Rodrigo.

Telefonei à minha mãe. Tomei duche. Fomos para o quarto.

Dormimos duas noites no hospital.

Estamos em casa.

O Pedro tem 4 dias.


xxxx Street
Nova Zelândia
5 de Agosto de 2014

[English version coming soon]

28 July 2014

Organizar com Sacos :: Organising with Drawstring Bags






Quando chegou a altura de fazer a mala para levar para o hospital, apercebi-me de que tinha de arranjar uma maneira para organizar a roupa do bebé. Não sei quanto tempo vou lá estar (em Inglaterra fiquei menos de 24 horas, mas como cá os hospitais têm menos gente, talvez lá esteja uns dias) e prefiro levar roupa a mais do que a menos... e quero manter tudo dobrado e arrumado dentro da mala.

Fiz então uma série de sacos com cordões para separar a roupa por género (optei por separá-la por tipo de peças em vez de fazer toilettes completas para o primeiro dia, segundo dia, etc). E, para facilitar a vida ao Tiago, coloquei etiquetas em todos os sacos. Imaginei-me a pedir-lhe algo como "passa-me um body de golas, um fatinho de lã e umas botas" ou "tira daí um body interior, um pijama e um casaco de malha" e ele ficar a olhar para mim com um ar perdido. Com etiquetas não há que enganar!

A construção dos sacos é semelhante à deste, mas fi-los ligeiramente mais pequenos (35 x 40 cm) e com costuras inglesas. E escolhi os tecidos mais floridos que encontrei no meu armário — já que vou estar sempre rodeada de rapazes, quero que as minhas coisas sejam ultra femininas!


When I started packing the hospital bag I quickly realised that I had to come up with a way to organise all the baby clothes. I don't know how long I'm going to stay there (in England it was less than 24 hours but here in NZ hospitals are much less crowded so I might sleep there for a couple of nights) and I'd rather pack too much than too little... and I need some kind of way to keep things tidy inside my bag.

So I sewed a handful of drawstring bags in order to separate the baby clothes by type — and to make things even easier for Tiago I labeled each bag. This way he won't feel completely puzzled when I ask him something like "pass me a body with collar, a woolen overall and a pair of booties" or " I need a bodysuit, pyjamas and a cardigan".

The construction of the bags is similar to what I've done here, only slightly smaller (35 x 40 cm) and with French seams. The choice of floral fabrics was very deliberate: since I'm going to be surrounded by boys I want my things to be as girly as possible!

(photos© Constança Cabral)

25 July 2014

Por Aqui :: Around Here







Ando com vontade de voltar a publicar posts com apanhados do meu dia-a-dia cá em casa. Posts mais espontâneos e mais mundanos, pequenos vislumbres da minha vida — momentos que, no último ano e meio, passei a partilhar no Instagram e não aqui no blog. Gostava que se tornasse algo frequente (quinzenal? semanal? o melhor é não me comprometer com nada nesta altura): quero desafiar-me a tirar mais fotografias, experimentar ângulos diferentes, tentar captar pormenores e registar estes instantes para a posteridade.

Estou prestes a completar as 40 semanas de gravidez. Tenho passado os últimos dias a fazer cortinados para a bay window do nosso quarto (3 janelas com 3,30 m de altura). A roupa de bebé está toda lavada e arrumada. Trouxe uma série de livros da biblioteca. Tenho aproveitado a ajuda da minha mãe para descansar (e coser). Continuo a fazer pão. Já há flores de Primavera nos jardins e nos supermercados. A minha máquina de costura entregou a alma ao Criador e tive de arranjar uma substituta (a decisão teve de ser tomada rapidamente e acabei por comprar uma Bernina Nova 900 dos anos 80... mas tenho muitas saudades da minha Bernina Record 830 e não vou descansar enquanto não encontrar outra igual).

Ao escrever este post, lembrei-me de um que escrevi há dois anos e meio, uns dias depois de ter completado as 40 semanas do Rodrigo. O país era outro mas também era Inverno (apesar de o mês ser Fevereiro e não Julho). E, curiosamente, os meus dias eram passados de maneira semelhante... ora espreitem aqui.


I've been wanting to come back to posting snippets of my days at home. I'm feeling the urge to publish more spontaneous and mundane snapshots here on the blog — some of those moments that I've been sharing  on Instagram for the past 18 months. I'd like to do it with some kind of frequency (weekly? fortnightly? maybe this isn't the best time to make this kind of commitments): I want to challenge myself to take more pictures, try different angles, capture details and freeze some instants of my life.

I'm two days short of being 40 weeks pregnant. I've been spending the last few days making curtains for the bay window in our bedroom (no small task... I'm talking three windows that are 3,30 m high). All of the baby clothes are washed and ready. I've borrowed a few books from the library. I've been making the most of the fact that my mother's here and I've been resting (and sewing lots). I'm still baking bread. Spring flowers can be spotted in gardens and supermarkets. My sewing machine died and I had to find a replacement (the decision had to be made quickly and I ended up buying a Bernina Nova 900 from the 1980s... but I'm still mourning my Bernina Record 830 and I shall not rest until I manage to track down another one).

Whilst sketching out this post I remembered writing a similar post two and a half years ago when I was a couple of days overdue with Rodrigo. I was living in a different country but it was also winter time (even though the month was February rather than July). And funnily enough, my days were spent in a very similar way... check it out here.

(photos© Constança Cabral)
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